No Evangelho segundo João, capítulo 4, Jesus, ao mostrar a importância da mulher estabelecendo um diálogo com a mulher de Samaria, não só denunciava o seu “des-valor” por parte daqueles com quem partilhava uma certa visão de mundo, mas também interferia nesta, introduzindo um novo modo de ver a mulher naquele contexto, sugerindo, portanto, que os relacionamentos poderiam e deveriam seguir uma outra lógica. Tal lógica era difícil – talvez impossível – de ser compreendida segundo os padrões vigentes naquela cultura.Jesus exercia seu ministério segundo sua livre e soberana vontade, durante horas e horas. A todo instante via-se envolvido em polêmicas teológicas, conflitos e confrontos de toda ordem que resultavam sempre em liberdade, cura e salvação para aqueles de quem soberanamente se compadecia e perdoava, e jamais se frustrava nos seus intentos. Foi nesse contexto, pois, que ele aproximou-se da fonte onde encontraria a mulher a quem ofereceria uma água diferente, embora estivesse tomado pela realidade humana da sede, da fome e do cansaço. (v.6-8).
Ora, ele pediu quando quis dar. (v. 10). Isto explica por que suas palavras não foram compreendidas. Tal incompreensão, porém, só aumentava a curiosidade e interesse da mulher. Não há dúvida, portanto, de que foram as indagações da samaritana, sua perplexidade diante daquelas estranhas palavras que lhe abriu a possibilidade de ser uma nova mulher, transformada pelo poder e sabedoria do amor de Deus, senão vejamos:
1. Primeiro ela ignora; (v.11)
a) Qual o dom de Deus?
Conforme, afirma McNair (1983), há três notáveis dons aos quais se refere o Novo Testamento:· O Filho de Deus (JO 3:16)· A vida eterna (Rm 6:23)· O Espírito Santo (JO 7: 37-39)
Conforme, afirma McNair (1983), há três notáveis dons aos quais se refere o Novo Testamento:· O Filho de Deus (JO 3:16)· A vida eterna (Rm 6:23)· O Espírito Santo (JO 7: 37-39)
b) Qual é a água viva?·
Algo que ele dá (v.10)· A água, na Bíblia, é símbolo do Espírito Santo (JO 7: 37-39)
c) Qual é a fonte de água que salta para a vida eterna?
É o amor de Deus derramado nos corações sedentos pelo próprio Espírito, o qual também é liberdade ( Rm 8:2; Rm 5:5; 2Co 3:17).
2. Depois ela passa a conhecer;
Jesus a ensinou, com suas atitudes, que amar era fazer a vontade do Pai. Era, pois, necessário conhecer a lógica desse amor para poder fazer o mesmo. Tratava-se de deixar-se invadir por essa água que seria saciadora das almas sedentas de algo “novo”, mesmo estando elas imersas numa atmosfera de religiosidades, regulamentos e obsessão pelo tema “pecado-punição” e, talvez, por isso mesmo.
Jesus estava oferecendo àquela mulher a liberdade para amar segundo seu Espírito, uma vontade irreprimível de viver abundantemente em obediência ao Deus Pai. Obediência esta semelhante àquela que existe entre o Pai e o Filho, desprovida de qualquer sentido de dominação, coação ou sujeição. Isto porque o Filho é livre para obedecer ao Pai, a quem ama e por isso também é amado pelo Pai.
O tipo de relacionamento que se estabelece quando somos livres para amar, é mais importante que o suprir temporário das nossas necessidades humanas. Por isso, a samaritana logo pediu: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui busca-la” (v.15). Ela sabia que faria toda a diferença sair do “reino da necessidade” para o “reino da liberdade” onde nossas mais profundas necessidades podem ser supridas de uma vez por todas.
A necessidade de amor e do afeto não encontra satisfação quando usamos “meios’ inadequados para conseguir. No caso da samaritana, vemos que o encontro com Jesus a fez ver que os relacionamentos que escolheu estabelecer com os homens a impedia de relacionar-se com o “sétimo homem” da sua vida e com Deus, como veremos a seguir, quando tratarmos das características da verdadeira adoração. Os “maridos” alheios eram esses meios que ela precisava abandonar se quisesse ter acesso àquela água viva.
É bastante interessante notar o que está acontecendo neste nível do diálogo. Jesus usa o raciocínio da samaritana de modo completamente inverso, no que se refere aos meios que se deve usar para ter acesso a esses dois tipos de recurso: o recurso finito natural (água da fonte de Jacó) e o recurso infinito sobrenatural (água viva).
É bastante interessante notar o que está acontecendo neste nível do diálogo. Jesus usa o raciocínio da samaritana de modo completamente inverso, no que se refere aos meios que se deve usar para ter acesso a esses dois tipos de recurso: o recurso finito natural (água da fonte de Jacó) e o recurso infinito sobrenatural (água viva).
Repare que, ao ouvir Jesus falar sobre a água viva, a samaritana, ainda sem compreender que se tratava de algo sobrenatural, duvida que Jesus pudesse lhe dar dessa água visto que ele não tinha os “meios” naturais de obtê-la: “(...) Senhor, tu não tens com que a tirar e o poço é fundo;(...)” (v.11).Entretanto, ao ouvir a samaritana pedir que lhe desse da água viva, Jesus, lhe responde: “Vai chama teu marido e vem cá” (v.16).
Jesus sabia que ela também não tinha os meios para ter acesso à água viva. O que não significa que ela deveria estar em coerência institucional com qualquer que fosse a exigência legal-religiosa(casamento formal) para ter acesso ao que aqui é representado pela expressão “água viva” e que só ocorreria com a descida do Espírito Santo para habitar no coração dos que creem. Pelo contrário, ela devia deixar de querer suprir suas necessidades mais profundas (de amor, de afeto e de comunhão com Deus) pelos seus próprios meios, pela via do esforço próprio).
Senão vejamos: “Replicou-lhe Jesus: Bem disseste não tenho marido; porque cinco já tiveste e esse que agora tens não é teu marido” (v.18).
Senão vejamos: “Replicou-lhe Jesus: Bem disseste não tenho marido; porque cinco já tiveste e esse que agora tens não é teu marido” (v.18).
Diante daquelas palavras, restou à mulher concluir: “Senhor vejo que tu és profeta” (v.19). Ela sabia que Jesus falava da parte de Deus – embora ignorasse ainda que Jesus era o Messias - como um verdadeiro profeta e passou-lhe a indagar sobre questões religiosas, mostrando assim que preocupava-se com a sua vida diante de Deus.


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