sábado, 22 de janeiro de 2011

JESUS: o único mediador entre nós


A Bíblia diz que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. Não seria ele também o único mediador entre os homens?
Se Jesus se dispusesse a ser o elo de ligação entre Deus e os homens e não pudesse reconciliar os homens entre si, certamente sua obra não estaria consumada, ficaria inacabada e não passaria de um arremedo de plano salvífico.
Todavia, ao reconciliar o homem com Deus, Jesus tornou possível a reconciliação dos homens entre si, e dos homens consigo mesmos.
Sim, porque  a reconciliação é bi-direcional, ela acontece em duas perspectivas: a vertical e a horizontal. Reconciliando-se com Deus, o homem reconcilia-se consigo mesmo e com seu próximo.Daí porque o apóstolo João intui acertadamente que não se pode afirmar que ama-se a Deus, a quem não se vê, sem que, no ato mesmo de amar a Deus, não se esteja já amando a seu irmão, a quem se vê.
A questão, contudo, é que o papel mediador de Jesus, viabiliza a iniciativa de Deus em nos reconciliar a Ele, mas, por seu amor libertador, nos deixa livre para responder subjetivamente, ao seu convite objetivo.
Sim, Deus estava mesmo em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões.Mas, cabe a nós aceitar tal reconciliação, responder a ela positivamente, o que só ocorre pela manifestação histórica e concreta da reconciliação do homem consigo mesmo, com a Criação e com os demais seres humanos.
É por isso que é tão importante compreender o papel mediador de Jesus nesse processo; sem Ele não só Deus não se reconciliaria conosco, como nós seríamos eternas vítimas do nosso próprio auto-engano, tentando, pela nossa tão breve existência, reconciliar-nos com Deus, a quem não vemos, mediante as nossas obras e tentando também convencer-nos uns aos outros de que poderíamos viver em eterno clima de hostilidade e inimizade mútuas, sem que Deus tivesse nada a fazer sobre isto.
Todavia, tendo Jesus como mediador e mestre a ser seguido, podemos, como o Pai, tomar a iniciativa de nos reconciliar com o nosso próximo, com nós mesmos e com a natureza, deixando, porém, o outro livre para responder ao nosso apelo à paz.
Entre a mulher adúltera e os homens que queriam apedrejá-la, Jesus interveio como o mediador, e naquele momento, a verdadeira ponte da amizade, se estabeleceu, objetivamente. Mas era necessário que os acusadores renunciassem as pedras. As sua obras de santidade e justiça, matá-la-iam, não fosse Jesus, o único mediador.
Com a mulher samaritana, se dera o mesmo. "Como falas a mim, sendo tu, judeu?" Jesus era a possibilidade objetiva, concreta de união entre samaritamos e judeus. Se tirarmos nós os olhos de Jesus, se o tirarmos da cena, só sobra os discípulos de Jesus e a própria samaritana, separados por suas barreiras religiosas e culturais, emparedados por seus montes e templos de preconceitos e arrogância. Mas, pondo os olhos sobre Jesus, vemos a samaritana e os próprios discípulos de Jesus, perplexos e assombrados com Aquele que ousava transformar as barreiras em pontes de amizade.
Certa vez, Tiago e João tiveram a petulância  de perguntar a Jesus se este queria que eles orassem para fazer descer fogo do céu para destruir os samaritanos. Mas eles não eram  discípulos, que já conheciam  Jesus " de andar com Ele"? Por que tanto ódio e desprezo pelos pecadores?
Porque ainda não tinham Jesus como o único mediador que une perfeitamente as pessoas; porque tinham a "performance" de cristão, mas não o Espírito de Cristo, que é o vínculo da paz; porque não haviam entendido que "o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los".
Foi assim também com a mulher que ungiu Jesus. Ela fez uma boa ação, mas os discípulos não viram assim, antes, a repreenderam e a  perturbaram, sendo necessário que Jesus se colocasse, mais uma vez, entre a mulher e aqueles homens a fim de que a deixassem em paz.
Jesus é o caminho que me conduz delicadamente ao outro, ainda que o outro se perceba infinitamente afastado de mim. No entanto, nossa consciência de reconciliado descansa no fato de que já não há quem nos possa impedir de andarmos por sobre os muros como se fossem pontes, se, de fato, nós respondemos subjetivamente, à sua objetiva reconcilação.
O caminho não é barreira, o Caminho é Cristo!

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