Paulo, o apóstolo dos gentios, certa vez, teve um “desentendimento exacerbado” com Barnabé (Atos 15:37-39;BKJ) acerca de João Marcos que os havia abandonado na Panfília (At 13:13). E se separaram.(At15:39).
Esta foi uma boa oportunidade para se criar uma divisão no Corpo de Cristo – a Igreja. A versão humana, autoritária e hierárquica da Igreja de Cristo não perderia, por certo, tal oportunidade. Então teríamos, de um lado, a igreja dos barnabitas e, por outro, a igreja paulina.
A primeira defendendo a tese segundo a qual a igreja é, pri-mordialmente, redentora, pois Marcos deveria ter uma segunda chance pelo erro cometido. Já a segunda, por sua vez, defenderia a tese segundo a qual, a igreja deveria, antes de tudo, conservar-se limpa, afastando os que cometem a ousadia de “não ir sempre” com os que adiante seguem no Caminho.
A primeira igreja, enfatizando o perdão e a graça, seria acusada pela segunda, de pregar somente “as rosas, esquecendo dos “espinhos” da vida cristã. Poderia ainda ser acusada de pregar somente que “Deus é amor”, mas esquecendo verdade sublime de que “Deus é justo”!
De fato, ambos são argumentos irrefutáveis e fundamentados pela Bíblia, sendo impossível, numa primeira impressão, não se criar duas denominações cristãs e bíblicas.
Aparentemente esses dois princípios de igual valor estão em conflito indissolúvel, cabendo a cada grupo acolher com diligência aquele que lhe parece ser o mais correto. Diante dessa questão, pode-se concluir que as denominações são males necessários; sendo impossível evitá-las e inútil tentar provar o contrário. Esta é a conclusão do homem religioso, apegado a tradições e avesso a reflexões mais cristocêntricas.
Eu, todavia, prefiro fazer a leitura dessa passagem não a partir de critérios subjetivos ou extrínsecos ao Evangelho, mas, sobretudo, a partir do “método-Jesus” de interpretação das Escrituras. A partir desse método, Jesus é o supremo princípio do qual decorre todos os outros em perfeita coerência e aplicabilidade, possibilitando a interpretação conforme a Palavra de Deus.
Jesus é a Palavra de Deus e esta me assegura que não há contradições absolutas e insuperáveis no Caminho que ele preparou de antemão para o crente e para a Sua Igreja. Este método me assegura que a Igreja não tem rótulos, nem rotula ninguém, mas apresenta marcas ou sinais que nos ensinam, dos quais destaco dois:
1. A Igreja tem natureza redentora – ao contrário da igreja-religião, a Igreja do Caminho, preferiu receber Marcos e Barnabé em sua comunhão, mesmo que a liberdade de ir e de não ir que tinha Marcos, pareceu ao grande Paulo, um erro que inviabilizara a vocação missionária daquele, acolhendo-o pelo companheirismo de Barnabé e pelo abraço curador da Igreja do Caminho;
A prova de que Barnabé estava certo e Paulo errado, se dera muitos anos depois quando, em II Tim. 4:11 vemos o mesmo Paulo ditar algo impensável, para alguns, ao seu amanuense: “Toma a Marcos e traze-o contigo, porque ele é útil para ajudar-me”.
Imagino o amanuense dando uma risadinha e Paulo pensando: É isso mesmo. Eu estava errado e Barnabé, certo; sendo melhor cristão que eu naquela ocasião. E, talvez, uma lágrima lhe escorrera no rosto!
2. A Igreja tem natureza criadora – ao contrário da Igreja-religião que se apega à rigidez de suas doutrinas e estruturas resistentes aos ventos de mudança que o Espírito Santo traz, a Igreja do Caminho se mantém obediente e criadora, pois Ele disse: “Separai-me a Saulo e a Barnabé para a obra à qual os chamei” (At. 13:2). Todo o Caminho da Graça e demais movimentos cristãos da Igreja na história ocidental dependeu daquela hora, pois a Igreja deu à Europa e, depois, a nós; dois grandes homens, mantendo-os unidos num forte companheirismo.
Quando a Igreja do Caminho ouve o Espírito Santo, ela se torna redentora e criadora e surgem, não novas denominações, mas novos movimentos cristãos.
O CAMINHO não é excomunhão nem denominação, o Caminho é Cristo!

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